UNITAU reúne especialistas em preservação da água

 

Mais de 200 pessoas participam do 1º Seminário de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Paraíba do Sul (Serhidro-PS), promovido pela UNITAU, que teve início ontem, dia 7 de novembro, reunindo especialistas de todo o país para discutir a polêmica do impacto do plantio do eucalipto e a cobrança do uso da água na região do Vale do Paraíba.

A abertura oficial do evento contou com a palestra do engenheiro Paulo Augusto Romera e Silva, do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE / CTH – Centro Tecnológico de Hidráulica e Recursos Hídricos), que explanou sobre a Bacia do Paraíba do Sul no contexto nacional de recursos hídricos. Silva abriu os trabalhos explicando a importância da bacia do Paraíba do Sul no contexto regional, pois abastece até dois milhões de pessoas em 42 cidades diferentes. "Essa região é muito generosa, pois apenas 8% das águas que circundam o planeta escoam para os rios, em forma de chuva. Já no Vale do Paraíba, esse índice chega a 37,5%, em períodos mais chuvosos". O palestrante ressaltou, no entanto, que é preciso uma gestão integrada para esses recursos hídricos, além de se promover uma conscientização ambiental na esfera educacional.

 Hoje, 8, no período da manhã, foram ministradas sete palestras com diferentes abordagens da questão do eucalipto, norteadas pela análise da complexidade dos aspectos ecológicos, sociais, econômicos e culturais envolvidos no processo de eucaliptocultura e as alternativas para minimizar seus impactos no meio ambiente.

Na região do Vale do Paraíba, os investimentos das empresas de celulose chegam a US$ 3 bilhões, vinculados à cultura do eucalipto.

O coordenador geral do Centro de Observação da Terra do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), João Vianei Soares, abriu os trabalhos do dia 8 e abordou o papel da floresta no ciclo hidrológico da bacia do Rio Paraíba do Sul. Soares ressaltou que é preciso se estabelecer estratégias para medir os ciclos de plantio do eucalipto para verificar o impacto em relação ao consumo de água.

            O prof. Dr. José Roberto Soares Scolforo, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), explanou sobre o manejo da paisagem a partir da cultura do eucalipto. Scolforo apresentou um estudo comparativo do plantio do eucalipto com outras culturas, como a cana-de-açúcar, o café e a batata, que demonstra que o consumo de água pelo eucalipto não difere de forma significativa do consumo de outras espécies vegetais. "Não se pode inviabilizar a plantação de qualquer cultura. No entanto, é preciso fazer a gestão do manejo, planejar e monitorar uma monocultura". Ele defende que é necessário proteger a vegetação ao entorno do plantio do eucalipto e, após o corte, é preciso proceder a regeneração da área.    

            "Temos que considerar que é significativo o investimento das empresas de celulose em pesquisa para minimizar os impactos da eucaliptocultura", ressaltou Scolforo.

            Os palestrantes apresentaram estudos científicos sobre o consumo de água no plantio de eucalipto e apresentaram algumas alternativas para minimizar esse impacto.

            No período da tarde, o debate se concentrou na polêmica da cobrança da água. O Prof. Dr. Jander Duarte Campos, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, contextualizou toda a trajetória do processo de implementação do sistema de cobrança da água na bacia do rio Paraíba do Sul, que é pioneira na construção de um pacto de cobrança de água.

            Campos ressaltou que, desde 2001, foram realizados mais de 70 eventos para esclarecer sobre o pacto de cobrança, a regularização dos usos, a definição dos usuários-pagadores e da metodologia e critérios de cobrança – captação e consumo. A arrecadação potencial inicial da bacia do Paraíba do Sul é de R$ 10 milhões. A cobrança é definida de acordo com critérios negociados e aprovados pela Agência Nacional de Água (ANA), Governo do Estado do Rio de Janeiro (GERJ), Comitê para Integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul (CEIVAP) e Comitê Guandu.

Para Campos, é necessário discutir os aspectos vinculados à outorga e à cobrança sobre o lançamento da carga no rio. O professor estima que a arrecadação total de 2003 a 2006 seja de R$ 66 milhões em toda a bacia do Rio Paraíba do Sul.

Ele ressalta que é preciso que esse recurso seja investido na própria bacia e que é necessário buscar uma saída para a sustentação das agências de bacias. Defende, também, maior participação da sociedade civil nas discussões da cobrança do uso da água, uma fiscalização efetiva, o equacionamento do gerenciamento da outorga e da cobrança e, principalmente, da harmonia entre os dois domínios hídricos – o Estadual e o Federal – no sistema de cobrança.

 

PROXIMAS DISCUSSÕES – No dia 9, as palestras do Serhidro enfocam primordialmente o plantio do eucalipto e seu impacto na preservação dos recursos hídricos. A partir das 8h30, será discutido o impacto das áreas plantadas com floresta na qualidade e quantidade da água da bacia do Rio Paraíba do Sul com a palestrante Maria José Brito Zakia, pesquisadora da Votorantim Celulose e Papel, uma das empresas com maior área plantada de eucalipto da região.

Haverá ainda uma explanação sobre os efeitos hidrológicos do manejo de florestas plantadas com eucalipto, feita pelo Prof. Dr. Walter de Paula Lima, da Universidade de São Paulo, a partir das 9h30

As discussões sobre o plantio do eucalipto e sua mensuração por meio de satélites geoespaciais continuam em painéis e mesas redondas a partir das 14h. Os interessados em acompanhar o evento podem obter a programação detalhada no site www.unitau.br ou www.agro.unitau.br.