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Encontro esclarece sobre eucalipto Especialistas argumentam que a árvore não é um 'grande vilão' do meio ambiente como se costuma pregar
Relegado à condição de vilão ambiental do século 21, na esteira das monoculturas da cana-de-açúcar, café e da pecuária leiteira, o eucalipto teve alguns de seus mitos colocados à prova na última semana, durante o Serhidro (1ª Seminário de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Paraíba do Sul), realizado no Departamento de Agronomia da Unitau (Universidade de Taubaté). A relação do eucalipto com a água, as florestas plantadas e as mazelas decorrentes do manejo incorreto das culturas foram alguns dos temas debatidos no evento. "Somando tudo o que a gente viu, o evento contribuiu para diminuir a incerteza do eucalipto no secamento do solo. Por outro lado, foi destacada a necessidade do correto manejo dessa cultura e o zoneamento das regiões", disse o disse o professor do programa de Ciências Ambientais do curso de pós-graduação da Unitau e um dos coordenadores do evento, Getúlio Teixeira Batista. EXPANSÃO - Segundo dados apresentados por pesquisadores durante o evento, o Vale do Paraíba tem hoje 12% de seu território tomado pelo plantio do eucalipto, com uma forte tendência de se chegar a 15%. Somente a VCP (Votorantim Celulose e Papel), uma das maiores produtoras de celulose do país, tem 250 fazendas espalhadas pela região, com 55% destinados ao plantio e 42% para a preservação. Segundo o estudo "Fronteira de expansão dos plantios de eucalipto no geoecossistema do médio vale do rio Paraíba do Sul" (Geocart/UFRJ), a taxa de expansão da cultura na região sul fluminense entre 2000 e 2007 está na ordem de 600 hectares, ou 600 campos de futebol, por ano. Em 2000, não havia registro e imagens de satélite do plantio de eucaliptos na região. Em 2007, já são 47 quilômetros quadrados plantados. PLANEJAMENTO - "O eucalipto X água é uma falsa questão. O que acontece é que no Vale há falta absoluta de um planejamento estratégico regional. Se o eucalipto seca mais ou menos a água é irrelevante. O importante é sabermos se existe uma normatização para o uso do solo. Esse é o ponto-chave para a sustentabilidade de qualquer atividade antrópica, a exemplo da criação de gado", disse Roberto Aguiar, integrante do Instituto Eco-Solidário e da câmara técnica de planejamento do CBH-PS (Comitê de Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul).
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