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Última atualização

02/02/2005

 

 

 

 

Departamento de Ciências Agrárias

 

 

STATUS DO PROJETO

Atividades executadas

 

 

 

 ANÁLISE DE VULNERABILIDADE DAS TERRAS

 

METODOLOGIA APLICADA PARA
MAPEAMENTO dA Vulnerabilidade

 

Fundamentação Técnica

A metodologia utilizada no estudo da vulnerabilidade a erosão e ao movimento de massa da Bacia do Rio Una no Município de Taubaté, foi desenvolvida a partir do conceito de Ecodinâmica (Tricart, 1977), e da potencialidade para estudos integrados das ortofotos, conforme os conceitos desenvolvidos por Crepani et al. (2001) para o Zoneamento Ecológico-Econômico e da Álgebra de Mapas apresentada por Barbosa (1997).

Na Bacia do Rio Una ocorrem simultaneamente dois processos:

a)     Um deles natural, como conseqüência do fenômeno da denudação, que se traduz na forma de intemperismo e transporte através de movimentos do regolito ou movimentos de massa. Na área da bacia há dominância de processos morfogenéticos sobre pedogenéticos, devido a características morfométricas dessa, onde ocorre elevada declividade, amplitude e dissecação, sendo que esta última apresenta forte incisão. Esses aspectos condicionam intensa degradação e transporte, ou seja, forte erodibilidade. Estas condições favorecem também movimentos rápidos de massa, como, por exemplo, escorregamentos (Chorley et al.,1984; IPT, 1989; Sestini, 1999).

b)     O outro é o processo de ocupação humana manifestado na forma de diferentes graus de alteração da paisagem, que induzem ou aceleram os processos de degradação.

A ocorrência destes dois processos simultaneamente pode causar a aceleração catastrófica do processo natural com danos a pessoas e propriedades, dependendo principalmente da posição geográfica do encontro dos dois processos.

Com o objetivo de identificar as áreas naturalmente vulneráveis à ocorrência das formas de movimento de massa capazes de provocar acidentes, e as áreas onde a ocorrência simultânea dos dois processos pode trazer risco, foi realizado um trabalho de levantamento das informações relativas à Geologia, Geomorfologia, Pedologia e Uso da Terra, formando assim um banco de dados que permite a identificação das áreas da bacia que necessitam de uma atenção maior por parte das autoridades competentes.

 

Geologia da Bacia de Taubaté

A Bacia de Taubaté é parte de um conjunto de bacias pertencentes ao Rifte Continental do Sudeste do Brasil (RCSB) (Riccomini, 1989), anteriormente denominado Sistema de Riftes da Serra do Mar (Almeida, 1976). A bacia está posicionada sobre rochas proterozóicas, ígneas e metamórficas, do Cinturão de Dobramentos Ribeira (Hasui & Poçano 1978). Possuindo evolução complexa e idades que vão desde o Arqueano até o Proterozóico Superior. São marcadas por zonas de cisalhamento transcorrente dextrais que definem uma estruturação regional marcante de orientação NE-SW, condicionando as formas alongadas e/ou sigmóides das seqüências metamórficas e a disposição, predominantemente dos corpos graníticos.

Na área de estudo, o Domínio Embu corresponde a uma extensa faixa disposta segundo NE-SW, compreendida entre as zonas de cisalhamento de Cubatão e do Rio Jaguari. É constituído predominantemente por rochas paraderivadas, em parte de afinidade vulcano sedimentar, metamorfizadas predominantemente no grau médio a alto (zona da sillimanita), muitas vezes atingindo fusão parcial in situ. É comum que estas rochas apresentarem-se migmatizadas.

Durante o Cenozóico, criaram-se condições para a implantação do RCSB, bacias que são caracterizadas pela sedimentação exclusivamente continentais ligados à ambientes fluvial e lacustre.

A Bacia de Taubaté constitui-se numa bacia do tipo rift, apresentando uma sedimentação tipicamente continental. A sedimentação é sintectônica, com depósitos sedimentares de granulometria grossa nas bordas falhadas da bacia, além de depósitos arenosos e argilosos, na parte central da bacia, ligados a ambientes de sedimentação fluvio-lacustres (Appi et al., 1986; Chang et al., 1989; Riccomini, 1989). A estruturação interna da bacia é caracterizada por grabens assimétricos, limitados por falhas e que, ao longo da bacia, mudam de vergência formando um padrão alternado (Fernandes, 1993).

O preenchimento da bacia pode ser dividido em duas fases: a primeira, sintectônica, com a deposição dos sedimentos do Grupo Taubaté, e a segunda, posterior à tectônica diastrófica, com a deposição da Formação Pindamonhangaba e depósitos aluviais e coluviais quaternários (Riccomini 1989).

Depositado durante o Paleógeno (Eo-Terciário), o Grupo Taubaté é subdividido nas formações Resende, Tremembé e São Paulo.

A Formação Tremembé, que ocorre na área de estudo, é formada por depósitos lacustres do tipo playa-lake, interdigita-se lateral e verticalmente com os depósitos da Formação Resende, e constitui a unidade mais significativa da porção central da bacia. Segundo Riccomini (1989), a Formação Tremembé apresenta 5 fácies principais: 1) fácies argilito verde maciço; 2) dolomitos tabulares, restritos a porção central da bacia; 3) ritmitos formados pela alternância de folhelhos e margas; 4) arenitos com estratificação cruzada sigmoidal e granodecrescência de areia média até silte bem desenvolvida na borda norte da bacia; 5) arenitos grossos, arcoseanos, intercalados nos argilitos verdes maciços na porção central da Bacia de Taubaté.

Sobreposto ao Grupo Taubaté ocorrem os sedimentos da Formação Pindamonhangaba. Depositados no Neoterciário esta formação corresponde aos depósitos de sistema fluvial meandrante, bem desenvolvidos na porção central da Bacia de Taubaté, em faixa situada ao sul do Rio Paraíba do Sul.

Por fim, ocorrem os sedimentos aluviais e coluviais quaternários posicionados ao longo das drenagens principais dos rios da região.

 

Vulnerabilidade à Erosão

Valles (1999) utilizou os procedimentos metodológicos de Crepani et al. (1996) baseados nos conceitos da ecodinâmica de Tricart (1977) para a geração da Carta de Vulnerabilidade Natural à Perda de Solo. As etapas desta metodologia são:

a)      elaboração de Mapa de UTBs;

b)      associação do Mapa de UTBs com dados auxiliares;

c)       avaliação da vulnerabilidade das UTBs e

d)      elaboração da Carta de Vulnerabilidade Natural à Perda de Solo.

 

a) Elaboração de Mapa de Unidades Territoriais Básicas (UTBs)

Uma utb é uma entidade geográfica com atributos ambientais que permite diferenciá-la de suas vizinhas ao mesmo tempo em que possui vínculo dinâmico que a articula a uma complexa rede integrada por outras unidades territoriais. Tais UTBs são subdivididas em duas categorias: unidades de paisagem natural e polígonos de intervenção antrópica.

A primeira categoria, a unidade de paisagem natural, é resultante dos processos naturais. A unidade de paisagem natural é definida a partir da análise e interpretação das ortofotos, observando seus elementos básicos, tais como: textura de relevo e de drenagem, tonalidades de cinzas, matizes de cores e rugosidade.

A segunda categoria, o polígono de intervenção antrópica, representa a área física onde se dá a atuação humana que através dos processos sócio-econômicos modifica as condições naturais. O polígono de intervenção antrópica é definido nas ortofotos através de padrões característicos de tonalidades de cinza, matizes de cores, textura, rugosidade, forma, dimensão e localização topográfica.

 

b) Associação do Mapa de Unidades Territoriais Básicas com Dados Auxiliares

Nesta fase os dados correspondentes as informações contidas nos mapas temáticos de Geologia (Figura 01), Geomorfologia (Figura 02), Pedologia (Figura 03), Uso da Terra (Figura 04), são associados ao mapa preliminar de UTBs.

  

Figura 1 - Mapa de geologia da Bacia do Rio Una.

Fonte: CPRM/FUNCATE

      

Figura 2 - Mapa de geomorfologia da Bacia do Rio Una

Fonte: Kurkdjian et al. (1992)/FUNCATE

Figura 3 - Mapa de pedologia da Bacia do Rio Una

Fonte: Kurkdjian (1992)/FUNCATE

                  

Figura 4 -  Mapa de uso da terra da Bacia do Rio Una

Fonte: Projeto Una (2003).

 

Essa associação tem a função de integrar as informações existentes nos mapas temáticos com as informações obtidas nas ortofotos, dentro de cada UTB. Assim, é possível atualizar as informações temáticas, obtendo-se um quadro real da situação morfodinâmica da unidade, de maneira a caracterizar sua constituição física, química e fitoecológica para a época da ortofoto utilizada.

 

 

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